sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

De primeira eu tentei seus olhos. Desde o início acho diferente esse seu modo de conversar olhando nos olhos dos outros, fixar. Parece que tu tenta extrair, roubar o que o outro tem através dos olhos. Estranho, ninguém nunca tinha me passado essa sensação.
Depois eu tentei teu total. Eu tentei teu total porque dos olhos não consegui arrancar muito, na verdade, nem dos olhos e nem do total. Eu não sei o que me intriga mais, e também não sei mais se quero saber. Dentro da minha cabeça existem tantos pensamentos enrolados uns nos outros que realmente, se eu puxar um, apertarei mais o nó entre eles e daí sim, será um grande bolo de linhas apertadas umas as outras. 
Pensei em fazer rima. Mas já existem várias rimas com teu nome, logo, seria muito clichê. Pensei em te fazer ver o quanto tu é expressiva, mas isso tu já sabe... Outro clichê. Quer saber? 
Não tá saindo bem, eu não tô falando a verdade pra ti. Muito menos pra mim. Acho chato. Na verdade gostaria de ver mais perto, sabe? Muito mais. Sou dessas que adora uma aproximação. Gosto de contato mesmo, mas fazer o que? Sou de oferecer café em uma xícara só, pra depois perguntar descaradamente ''Vamo dividir?''. Tu sabe, sou boba. Bobeira encanta, mas não é todo tipo de bobeira. Minha bobeira é séria, pouco lida, entendida ou sei lá... Sou séria - Tu riu, né? Sabe que não sou - Eu também ri. 
Tu é meio carnaval. Máscara viva andante. Tu é pura, eu sinto isso. Já eu não... Já tive malícia demais em mim. Tu é totalmente carnaval, máscaras de sorrisos. Não vejo milhares de ti como vejo milhares de mim, é chato... Parece que tu é única. Sempre gostei de encontrar máscaras iguais, é porque tem tamanho, sabe? A tua não coube no meu rosto, mas quem sabe uma idêntica, com tamanho maior, caiba? 
Dai eu tentei o sorriso. Tua boca fez tantas voltas que eu me contorci pra entende-la. Tanta beleza. Beleza física, não física, mecânica, cinemática, exponencialmente elevada a uma circunferência que não se encaixa na minha. E eu forçadamente tento encaixar tudo onde não cabe. 
Puxei um pensamento.
Dois.
Três.
Milhares de você. Agora sim. Mente versus coração.
Viu que bagunça? Dá nisso quando tem você. 
Por hoje é só, foi o suficiente, já chega! Beijinhos de comadre e uma despedida normal no ponto de ônibus. 
Daí eu analiso o andar. Torto. O cabelo de lado, deitado no ombro e a cabeça também. Rápido demais pra mim. Não vou alcançar, não vou alcançar. E quem disse que eu quero? - É a mente.
Eu quero sim. Vou acompanhar -  É o coração.
Vai ou não vai? Decide logo! - Grita alguma coisa dentro de mim. Resposta? Eu não vou. No final alguém que sempre se torna maior que eu em situações como esta, diz - É. Você fez bem. Você sabe, não sabe? Existem coisas que mesmo muito esperadas não foram para dar certo. E esse... Bom, esse é o medo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário